Fafnir: o dragão da mitologia nórdica

Fafnir é um dragão lendário na mitologia nórdica, filho de Hreidmar. Era também irmão de Regin, o ferreiro anão, e de Ottar. Depois de os deuses terem morto Ottar acidentalmente, estes ofereceram uma compensação a Hreidmar. Essa compensação foi o ouro do anão Andvari. Andvari, furioso por ter sido forçado a abandonar a sua riqueza, lançou uma maldição sobre ela.

Cobiçosos, Fafnir e Regin mataram o seu pai. Mas Fafnir ficou com todo o ouro para si e transformou-se num dragão para melhor o proteger.

As lendas dizem que os Nibelungos eram elfos ferreiros, especialistas em forjar metal para fabricar espadas, escudos e outras armas invencíveis. Na escuridão, as grutas que conduziam ao país dos Nibelungos escondiam grandes tesouros. Embora muitos os desejassem, ninguém conseguia aceder ao tesouro porque este era guardado pelo terrível dragão Fafnir. Muitos heróis guerreiros tentaram tomar o tesouro dos Nibelungos, mas todos foram derrotados pelo monstro.

A vingança de Mimir

A entrada da gruta abria-se no meio de uma floresta fria. Era lá que vivia o duende Mimir. Tinha sido um dia um Nibelungo, mas agora estava isolado, sozinho nos bosques… Ele queria apoderar-se do tesouro e tinha sido expulso do reino subterrâneo.

Mimir passava os seus dias a pensar na forma como poderia alcançar o que queria, mas era um cobarde e demasiado fraco para combater o dragão. Até que um dia, a sorte quis que ele encontrasse uma criança.

Numa manhã de verão, Mimir descobriu um recém-nascido perto da sua gruta. Parecia ter sido abandonado há pouco tempo, embrulhado numa magnífica capa.

Ao seu lado, uma espada partida de tamanho imponente. Mimir gostou da espada e ficou impressionado com a robustez e a força da criança. Pensou que ambos lhe poderiam ser úteis e decidiu criá-lo.

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Siegfried e o dragão Fafnir

Quando o rapaz cresceu, Mimir decidiu reparar a espada que o pequeno tinha ao seu lado quando o encontrou nos bosques. A enorme espada só era digna da força extraordinária do rapaz.

Mimir ensinou ao pequeno tudo o que sabia sobre a arte da espada e como um cavaleiro se devia comportar. Mas, acima de tudo, incutiu-lhe o desejo de aventura e o amor pelos desafios e perigos. Esperava que ele o vingasse dos Nibelungos e que o ajudasse a deitar a mão ao tesouro.

O rapaz chamava-se Siegfried e era filho de Sigismundo, o grande rei dos Francos, da família do deus Odin e da bela Siglida, que significa proteção da vitória. O reino do seu pai ficava ainda mais a norte.

Com a espada e a coragem de Siegfried, Mimir planeou a sua vingança. Convenceu o jovem a enfrentar o temível Fafnir. Siegfried embrenhou-se então na floresta, onde se encontrava a gruta do dragão. Ele sabia, pelos conselhos de Mimir, que um dragão invencível se encontrava no seu covil. Sabia também como atraí-lo.

À entrada da gruta, começou a tocar uma melodia suave com a sua trompa de prata. A música acordou o dragão e fê-lo sair da sua gruta. Siegfried esperou pelo dragão escondido entre as árvores e, antes que este o pudesse ver ou sentir, a sua poderosa espada atravessou o coração de Fafnir.

A morrer, Fafnir confessou a Siegfried que, noutro tempo, tinha sido um poderoso gigante. Uma maldição tinha sido lançada sobre ele, transformando-o num dragão condenado a morrer pela mão do jovem. O dragão previu também que ele se apaixonaria por uma mulher que seria a sua perdição.

Quando Siegfried retirou a espada do corpo do dragão, um fluxo de sangue a ferver caiu-lhe sobre a mão e queimou-a. Para aliviar a dor da queimadura, o jovem levou a mão à boca e tocou nos seus lábios com o sangue do dragão.

Nesse preciso momento, Siegfried percebeu que tinha o poder de compreender o canto dos pássaros. Estes revelaram-lhe onde estavam escondidos os preciosos tesouros dos Nibelungos e como ele podia entrar nas grutas para os encontrar.

Através dos pássaros, Siegfried descobriu que, se se banhasse no sangue do dragão, tornar-se-ia imortal. Por isso, antes de entrar na gruta, o herói banhou-se no sangue de Fafnir. No entanto, uma pequena folha de tília ficou colada nas suas costas, deixando uma mancha que o sangue do dragão não conseguiu proteger…

O tesouro dos Nibelungos

Siegfried sabia, graças aos pássaros, como chegar ao tesouro. Sabia também quais eram os objetos mais preciosos escondidos nas grutas. Apenas levou o elmo da invisibilidade e uma aliança mágica. O portador da aliança ganharia um poder invencível perante o mundo. O que Siegfried não sabia era que a aliança possuía uma maldição que traria desgraça a quem a possuísse.

Ao sair da gruta, Siegfried ouviu novamente os pássaros. Desta vez, falaram-lhe de Brunhilde, uma princesa guerreira, a mais bela das filhas do rei da Borgonha, e ele deixou-se levar por essas palavras, imaginando a jovem e alegrando-se por a conhecer.

Esta aventura não saciou a sua sede de sucesso. Para conhecer Brunhilde, viajou por muitos países e combateu inúmeros guerreiros. Recuperou o seu trono e conseguiu tornar-se um rei ainda mais famoso do que o seu pai.

Mas, como Fafnir tinha previsto, o amor por esta mulher provocar-lhe-ia também as maiores desgraças…

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